sábado, 20 de novembro de 2010

Feliz, sim! Feliz Aniversário!

Tem gente que só vem aqui uma vez ao ano... ansiosamente (ou curiosamente) pra saber
“o que vai entrar nas memórias desse aniversário”...
Apesar de tudo que estava na ponta dos dedos pra representar a "trajetória dos 22 anos" percebi que não havia nada melhor do que contar sobre a menina e o barco... se vc não gosta muito de aventuras ou enjoa mt fácil, não precisa ir mais além...
Mas aos que quiserem molhar os pés na água dessa história, tenham uma Boa viagem!


''Eis que é chegada a hora"

Era fim de tarde e lá estava ela, sentada na beirada do cais, balançando os pés sobre a água. Olhava atentamente aquela imensidão azul do mar. O mar lhe causava medo e admiração e ainda não consigo compreender porque ela sentia tanto prazer nisso...
O barco estava ao seu lado, atracado já há algum tempo; como um descanso merecido depois de viagens tão exaustivas. E lá estava ela: fiél ao barco; fiél ao mar, aguardando o momento da nova partida..
A água gelada provocava arrepios quando o vento soprava e ela teve aquele sentimento de novo... Lembrou-se então de todos os lugares por onde já havia passado... e é incrível a memória que ela tinha! Era capaz de sentir cheiros e sabores ao recordar algumas aventuras... e foram tantas!
Ela olhou mais uma vez para o mar, como quem partilha da mesma cumplicidade; é como se ele compreendesse tudo aquilo que ela sentia apenas num olhar. E ele concordou com ela. Ele parecia sentir exatamente a mesma coisa...
A maré já estava subindo e já não se avistava mais garças no céu, e ela se deu conta que já haviam mudado até as estações, e por mais difícil que fosse... ela sabia que era chegada a hora.
Fitando os olhos, na mesma posição, ela compreendeu que apesar de toda segurança que aquele cais lhe confiava; era necessário ir um pouco mais além.
Ela continuou sentada e pela primeira vez depois de grandes jornadas, ela sentiu um grande medo. Até aquele momento ainda não havia enfrentado uma viagem tão ousada em águas tão profundas e desconhecidas...
Levantou-se então devagar, ainda insegura de suas escolhas, passou o olho por dentro da embarcação e avistou dois remos. Foi andando para dentro do barco e pela primeira vez ela percebeu as marcas dos próprios pés molhados, no chão do navio...
''experimentar o mar é deixar sempre um rastro de nós, por onde vamos depois...''
ela pensou...

Entrou e percebeu que jamais havia reparado nos detalhes do seu próprio barco como estava fazendo agora... ''parece que quando vamos fazer grande viagens, precisamos ter absoluta certeza que a nossa embarcação está preparada para alguns desafios''... e olhou a proa; conferiu o leme do navio; e até as marcas de outras aventuras ela olhou atentamente... já sabia que não se deve navegar muito rápido em mares congelados; e que não se deve enfrentar fortes ventos em embarcações pequenas... aquelas marcas no navio não a deixariam esquecer isso.
Então devagar como quem aprecia um bom vinho, ela saboreava as incertezas da nova empreitada, e silenciosamente fazia seus apelos de socorro... se fosse possível ficar no cais... pensou. E veio aquele mesmo sentimento... o cais já não bastava mais para ela.
O desejo de ir mais além, era maior do que o grande medo... e ela pisou com segurança na sua embarcação como quem diz: ''estamos juntos nessa! Eu confio em você'', mesmo sabendo que há lugares nesse grande mar, que até as embarcações mais fiéis podem nos surpreender.. há tormentas em que não é possível confiar em ninguém... e isso faz parte da viagem.. são justamente esses desafios que fazem os grande navegantes.
Ela começou então a olhar tudo que havia no seu barco, e já com saudade, começou a tentar escolher o que ela poderia levar e o que ela teria que deixar... afinal, há viagens que são tão longas; que algumas bagagens podem nos impedir de flutuar. Ela sabia disso.. era preciso deixar no cais aquilo que lhe causava mais peso... e como era difícil decidir!

Foi retirando então os fardos mais pesados; aqueles nos quais ela só carregava porque achava que era parte dela; como uma responsabilidade eterna e cansativa.. ela começou então, um por um, com grande pesar, a colocá-los para fora do navio... Surpreendeu-se com a pilha que fez no pier, e se perguntou como aquele peso todo não havia ainda afundado seu pequeno barco... ''nossos barcos são tão resistentes e respeitosos com nossos fardos. Mas muito peso pode não nos levar longe de mais'', pensou..
Continuou analisando toda aquela bagagem, e viu que ainda precisaria se desfazer de algumas coisas que estavam ali... olhou para sua memórias quietinhas no canto do barco, como quem se escondia de seu olhar por não querer ficar para trás...
Ela olhou uma por uma, e viu que algumas lembranças lhe causariam eternas saudades.. e fariam ela se questionar se havia feito a melhor escolha em viajar. Foi a primeira vez que ela não se conteve; sentou ao lado de algumas lembranças tentando se justificar e chorou... e lá ficou por muito tempo...
Puxou o ar decidida, levantou-se ainda com lágrimas nos olhos, mas com um olhar amoroso, pegou com cuidado as melhores lembranças, guardou-as em caixas para garantir que estariam seguras, e andando foi até o pier, e lá as colocou... ao olhar para trás se deu conta de como era engraçado perceber, que fardos e lembranças, mesmo fora do barco, continuariam sempre lado a lado...
Voltou pra dentro e viu alguns objetos que lembravam pessoas que amava; um por um, foi levando para fora de sua embarcação... materializar as lembranças, consegue ser mais pesado que as próprias lembranças... e ela não poderia levar esse peso.
Quando ela chegou novamente ao barco, percebeu que não havia mais quase nada por ali; a não ser uma memória, do dia que ela decidiu sair do cais; para que jamais esquecesse que era necessário continuar remando, para chegar no mais além...
Olhou atentamente para o próprio corpo: braços, pernas, cabelos... e percebeu que o maior peso de tudo aquilo que ela tinha no barco era sua própria existência, e ainda estava ali... sentiu pulsar nas suas veias um pouco de cada uma das coisas que ela havia deixado no pier; e então teve certeza que fez a escolha certa. Porque as lembranças e tudo aquilo que era verdadeiramente importante pra ela, já havia se materializado nas sua próprias experiências... seu corpo vivo era a maior expressão de tudo que havia vivido, e as marcas reais de todos que um dia passaram por ela, estariam para sempre ali naquele corpo, e ela os levaria consigo, até o fim...

Vestiu sua blusa de lã para agüentar o frio da noite que vinha chegando, colocou num lugar seguro sua única flor, que a acompanhava por todas as viagens... afinal de contas, ela não conseguiria viver muito tempo sem a prática do cultivar... conferiu o galão de água, suficiente para chegar à algum lugar que ela não sabia onde era; alguns pães e um guarda sol para os dias de muito calor.

Tudo pronto...Tomou então os remos nas mãos, e decidiu não olhar para trás... quando decidimos ir mais além e deixamos o barco pronto, não devemos mais olhar o que fica...
Soltou a corda que prendia o barco ao cais; mas não a cortou. Deixou lá no barco, caso um dia encontrasse algum outro cais no qual precisasse ou desejasse desembarcar... é sempre bom ter algo para que possamos prender nosso barco em segurança...
Velejou suavemente sobre o azul marinho, tendo na face a brisa leve que lhe dava boas vindas... já era tempo de estarmos juntas outra vez, a brisa parecia ter sentido falta da menina..
Olhou ao lado e confirmou o que já sabia... lá estava Ele deitado sobre um travesseiro; Ele dormia sim, mas ela não sentiu medo, pois sabia que mesmo diante de qualquer tribulação, Ele estaria com ela, dentro do navio...
"Menina que cantava sorriso e sorria melodia''...
Lá ia ela, assoviando sua "uma música" aconchegada na sua embarcação, rumo ao Mais Além.

(H.L.A)
(Onde qualquer semelhança, não é mesmo, mera coincidência!)
Ela voltou a escrever. E isso rendeu um sorriso muito sincero!


As vezes nossos barcos ficam muito seguros no cais. Mas isso não é o mais importante. Importante é nunca esquecer, que eles não foram feitos pra isso.
Pra você, pode até não ser hoje... mais um dia amigo, “Eis que é chegada a hora”!

23 anos... é bom estar com vcs. Espero que possamos fazer juntos, uma ótima viagem...
Deus, sinceramente... obrigada por TUDO!! Esse ano eu quase me esqueci que seu amor velava por mim... quase!

Um beijo pra quem molhou os pés, e chegou até aqui! rs
Obrigada! =)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010


Se há de fato algo nesse mundo que nos move em linhas de frequência.. algumas ligações parecem não perder a sintonia. E isso é bom. Mostra que os sinais ainda que distantes seguem um mesmo caminho... partem de um mesmo lugar, chegam ao mesmo destino.
Mas algumas interferências me causam borboletas no estômago e um silêncio de prender a respiração!
Seria como querer falar e não saber dizer. É vontade de sair e perceber que o destino na verdade, é a variável de menor importância... Ter presença nem sempre é ter companhia; e há momentos em que alguns ''silêncios'' preenchem mais que duas ou três palavras...
É preciso lembrar que as pessoas são substituíveis sim. Mas o que elas causam no seu dia, não! E ainda bem que existem as frequências... caso contrário, teria uma leve sensação de vazio.
É mais do que ver o sol nascer. É o calor que a sintonia traz... é quando o sol se torna um mero coadjuvante...
Bom mesmo é o sorriso que escapa ao sentir que não estamos sozinhos. Nós estamos aqui, ainda que não pareça. E a sensação de que ''apenas começamos'' é a prova de que isso tudo, nada mais é, do que a parte limitada de um todo... e que esse todo sempre reserva boas surpresas.
Que as metáforas não causem estranhamento... é que no fundo eu acho tão bonito isso de ser abstrato... A verdade é que eu sei que já fez sentido, antes mesmo de se fazer texto... :)

Ouvindo Angel - Sarah Mclachlan
Frase do dia: "Pele é um bicho traiçoeiro" - Bem-dito por Arnaldo Jabor

E uma única certeza: haja o que houver... ''Encontre-me em Montauk"!

=)